terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O Brasil hipotecado para o pagamento dos serviços da dívida pública


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7 de fevereiro de 2012
De acordo com informe do BC (Banco Central), o superávit primário, que são os recursos priorizados pelo governo federal, estados, municípios e empresas estatais para o pagamento dos juros da dívida pública, fechou o ano de 2011 em R$ 128,71 bilhões, R$ 810 milhões acima da meta. Esse valor representou 3,11% do PIB.
Chama a atenção que a paralisia da economia brasileira, a partir do terceiro trimestre do ano passado devido ao aprofundamento da crise capitalista mundial, não afetou a meta cheia, que foi atingida sem mesmo recorrer a truques contábeis através do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) como tinha acontecido nos dois anos anteriores.
Mas, o que foi um sucesso para os especuladores financeiros, foi um tremendo desastre para a população brasileira. Segundo o próprio BC, por trás estão os efeitos do plano de austeridade que, com forte foco recessivo, está sendo implementado pelo governo do PT: “contenções maiores nos gastos com pessoal e de custeio, uma elevação da arrecadação e crescimento menor nos investimentos”. Os cortes atingiram todas as esferas públicas: o governo federal, incluindo o BC e o INSS, os governos estaduais e municipais e as empresas estatais. Na primeira reunião da Junta Orçamentária, integradas pelos ministros da Fazenda, do Planejamento e da Casa Civil, que aconteceu nos primeiros dias deste mês, foi discutida a necessidade de cortar R$ 60 bilhões do orçamento público federal deste ano com o objetivo de atingir o superávit primário de R$ 139,8 bilhões.
O governo federal registrou superávit primário de R$ 93,035 bilhões, R$ 1,275 bilhões acima da meta. Os governos estaduais e municipais registraram R$ 32,963 bilhões, R$ 3,137 bilhões abaixo da meta, mas o resultado foi considerado bem sucedido, pois em 2010 tinha sido de apenas R$ 508 milhões.
As empresas estatais, excluídas a Petrobras e a Eletrobras, registram superávit de R$ 2,712 bilhões, apesar do déficit de R$ 61 milhões do mês de dezembro.
Um dos truques que o governo usou para mostrar o seu comprometimento com o imperialismo foi o pagamento pela Vale, assim que o novo presidente da empresa assumiu, de impostos por R$ 5 bilhões que ainda estavam sendo contestados na Justiça.



A perspectiva de aprofundamento da crise capitalista no Brasil em 2012

O cenário deste ano apresenta-se um tanto sombrio para o governo do PT. As contas correntes, que fecharam com US$ 52 bilhões provenientes de capitais especulativos, precisarão de US$ 70 bilhões para fechar este ano segundo o próprio BC. Para atingir as suas metas de arrecadação, o governo conta com o crescimento da economia em 4,5%, de acordo com a previsão ajustada no início deste mês.
Todas as previsões para 2012 são de um cenário recessivo, muito distante do mundo imaginário do governo do PT. A ONU (Nações Unidas) preveem estancamento econômico, ou seja crescimento próximo a 0% caso a crise na Europa piorar, que é justamente o que todos os indicadores indicam que está acontecendo. O FMI (Fundo Monetário Internacional) publicou um relatório nestes dias dizendo que América Latina deve “preparar-se para o pior”. As previsões do Banco Mundial vão no mesmo sentido.
Na prática, o governo do PT está tomando medidas distantes com o seu discurso demagógico. O megacorte de R$ 60 bilhões do orçamento público foi feito em cima da redução da perspectiva de crescimento em apenas 0,5%, de 5% para 4,5%. E qual será o tamanho do corte em cima de uma redução para 2,6%, como muitos analistas burgueses estão prevendo, ou ainda maior como a ONU prevê?
O impacto do recente reajuste do salário mínimo, que foi feito por decreto, onerará as contas públicas em R$ 23 bilhões, o aumento dos repasses para os capitalistas por conta das obras para as Olimpíadas e a Copa, além das desonerações já compromissadas pelo Programa Brasil Maior, o superávit primário cairia, no mínimo, para 2,6 % do PIB, contra 3,1% do PIB em 2011, num cenário hipotético de crescimento de 3,5% do PIB, mesmo levando em conta os R$ 18 bilhões extras de arrecadação por depósitos judiciais e dividendos por R$ 20,4 bilhões das estatais que a Receita Federal espera receber; o déficit nominal seria de 1,2%, resultado de gastos com juros de 4,3% do PIB.
Dito em outras palavras, mesmo em cenários hipotéticos muito melhores que as perspectivas reais, a situação das finanças públicas encontra-se em franca deterioração e, num cenário mais próximo da realidade, a economia brasileira está caminhando rumo à recessão, como um passo intermediário para a depressão.

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