segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Ditadura do PSDB promove Massacre no Pinheirinho


Fonte:http://www.pco.org.br                                                                                                                      Segundo dados das pessoas que fazem parte do movimento que ocupou o Pinheirinho, sete moradores morreram durante a operação, entre eles uma mulher grávida, uma criança de colo e outra de nove anos de idade. O número pode aumentar, pois ainda há pessoas desaparecidas e outras hospitalizadas em estado grave (ASSISTA AQUI VÍDEO DA DESOCUPAÇÃO COM IMAGENS EXCLUSIVAS)
Na última sexta-feira, dia 20 de janeiro, o Tribunal de Justiça Federal mandou suspender por quinze dias a liminar que autorizava a reintegração de posse da ocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos, cidade do interior de São Paulo. Mas na madrugada do dia 22, o governo do estado e prefeitura, por meio da juíza Maria Loureiro, da 6ª Vara Criminal do município, autorizou a entrada da força policial para promover a desocupação da área localizada na zona Sul da cidade.

Geraldo Alckmin e Eduardo Cury, ambos do PSDB, ordenaram a realização de uma verdadeira operação de guerra contra as mais de 1.600 famílias que residiam no local. Foram enviados mais de dois mil homens de 33 cidades diferentes para esta tarefa. Entre os destacamentos estavam a Tropa de Choque e a ROTA, que utilizaram blindados, helicópteros, cavalaria, bombas de gás lacrimogêneo, gás de pimenta, balas de borracha e armamento letal. 


A desocupação aconteceu por volta das seis horas da manhã. Neste momento, os primeiros homens da Tropa de Choque foram vistos estourando os portões que dão acesso a ocupação. As tropas avançaram contra a população dentro do terreno dando tiros de bala de borracha e arremessando bombas. Muitas destas bombas caíram dentro das casas das pessoas, deixando inúmeras delas feridas. A ação não parou nem mesmo diante dos apelos de muitos moradores que pediam o fim da violência porque no local havia idosos e crianças. 


Enquanto a Tropa de Choque agia por terra, helicópteros sobrevoam o Pinheirinho de forma ameaçadora, realizando diversos voos rasantes para tentar amedrontar a população. 


Esta, por sua vez, resistiu da maneira que pode. Diante do ataque surpresa, a milícia organizada pelos ocupantes não consegui entrar em ação dentro do Pinheirinho, no entanto, os moradores, sobretudo os mais jovens, arremessaram pedras, atiraram rojões e colocaram fogo em barricadas para impedir o avanço das forças de repressão. 


Segundo o depoimento de um dos militantes do Partido da Causa Operária (PCO) que estava dentro do acampamento e fez parte deste enfrentamento, os confrontos duraram horas. “A luta mais intensa contra a Tropa de Choque durou, aproximadamente, uns 45 minutos. Depois disso, a maioria dos companheiros foi encurralada por diferentes destacamentos policiais. Aqueles que não foram detidos, a esmagadora maioria, entraram em alguma das casas para se refugiar. Mas mesmo depois de cinco horas de operação ainda era possível ouvir disparos e bombas vindos de outras partes do Pinheirinho. Eu estava refugiado em uma das casas e percebi que estes confrontos que começaram às seis horas duraram pelo menos até o meio-dia aproximadamente”, afirmou o estudante André Sarmento.
 

Para enganar a população do Pinheirinho, a PM divulgou que faria “apenas” uma operação chamada por ela mesma de “pente fino”. O objetivo seria buscar armas de fogo que supostamente estariam sob o poder dos trabalhadores. A operação “pente fino”, no entanto, se transformou em uma ação de despejo das famílias. Homens da ROTA começaram a entrar de forma ilegal nas casas e eles e outros destacamentos da polícia passaram a lacrar as residências. Os moradores foram obrigados a deixar suas casas com apenas aquilo que conseguiam carregar em mãos. “Consegui sair do Pinheirinho apenas às 16 horas. Na avenida em frente à ocupação era possível ver inúmeras famílias carregando malas e um número incontável de policiais cercando o terreno. Durante o período da noite recebi a informação que começaram as primeiras demolições das casas desocupadas”, afirmou Sarmento. 

Estado de sítio e assassinatos 

O Pinheirinho ficou sob total estado de sítio. A polícia ordenou que estava proibido circular pelas ruas da ocupação e, consequentemente, os moradores foram obrigados a ficar dentro de suas casas. Mas foi do lado de fora que a repressão foi mais intensa.
Em frente a uma das entradas da ocupação, moradores do Pinheirinho, do bairro vizinho, o Campos dos Alemães, e demais trabalhadores solidários a esta luta se concentraram e enfrentaram a polícia.

A ação repressiva da PM resultou em sete mortes, segundo dados obtidos na noite do domingo pela nossa redação. O número, no entanto, pode aumentar nas próximas horas, uma vez que ainda há pessoas desaparecidas e outras internadas em estado grave correndo risco de morte. Entre os mortos estão uma criança de nove anos, um bebê de um ano e cinco meses e uma mulher grávida.
 

Segundo apurou a equipe de redação do Causa Operaria Online, ainda ocorreram confrontos no local que a prefeitura destinou aos moradores após a ocupação. 

A polícia voltou a disparar tiros de bala de borracha e bombas de gás lacrimogêneo nos manifestantes durante a noite.
Fora Alckmin! Abaixo a ditadura do PSDB em São Paulo!

A repressão aos movimentos sociais, uma marca registrada do PSDB, vem se intensificando no último período. Somente neste mês tivemos mais um ataque ao movimento estudantil da USP, uma ação “higienista” na Cracolândia e, agora, um massacre na ocupação do Pinheirinho.
 
Estes ataques são uma tentativa da direita de conter a crescente revolta da população, resultado da desagregação do regime político e do aprofundamento da crise capitalista no Brasil. No Pinheirinho, por exemplo, a população organizou uma milícia para responder a política repressiva que atendia aos interesses do especulador Naji Nahas.

A ação do PSDB, embora tenha resultado em um massacre da população e no despejo de quase 10 mil pessoas, tende a aprofundar esta crise, aumentando a tendência de luta da população contra a burguesia e o regime político.

Neste sentido, é preciso realizar uma ampla campanha de denúncias sobre o que realmente aconteceu no Pinheirinho, mostrando aquilo que a imprensa capitalista está tentando esconder. Ao mesmo tempo, os trabalhadores devem se organizar para novos enfrentamentos como este, pois eles certamente virão no próximo período.

São José dos Campos
Repressão selvagem na ocupação do Pinheirinho deixa centenas de feridos e nove pessoas mortas
Passando por cima de uma ordem de suspensão da reintegração de posse, a polícia militar de São Paulo cercou o Pinheirinho em São José dos Campos e de maneira selvagem faz a reintegração de posse. Até o momento a informação é de que nove pessoas morreram entre elas duas crianças, uma de três anos e outra de um ano e sete meses
Neste domingo, às 6h da manhã, a Tropa de Choque da polícia Militar, Cavalaria e helicópteros estavam na ocupação de Pinheirinho em São José dos Campos. Todo o bairro foi cercado.

Os moradores colocaram fogo nas barricadas para impedir a repressão policial. A PM entrou usando balas de borracha, bombas de gás e gás de Pimenta.

Os moradores de bairros vizinhos ao Pinheirinho entraram em confronto com a Guarda Civil, que age com a PM e quebraram o alambrado que cerca o Centro Poliesportivo do Campo dos Alemães. O local está sendo preparado para o alojamento das famílias despejadas.

Moradores de outros bairros estão protestando contra a repressão policial.
Militantes do Partido da Causa Operária estão no local e afirmam que todas as entradas para o bairro estão fechadas. O bairro está situado. Nesse momento a polícia está entrando nas casas retirando os moradores. A PM está lacrando as casas, pegando os documentos dos moradores e levando-os para um alojamento.

Bombas foram lançadas de fora do terreno e atingiram diversas casas. Uma mulher com a criança estava dentro de casa e foi atingida.

Segundo os moradores, sete pessoas foram assassinadas pela polícia e 15 estão presas. São centenas de feridos, entre eles crianças e mulheres.
Apoiadores e moradores dos bairros vizinhos pararam a Via Dutra para denunciar a truculência policial e apoiar a resistência dos moradores.

Na área vivem cerca de seis mil pessoas desde 2004. A proposta feita pelo procurador Ângelo Augusto Costa que há sete anos acompanha a questão, a ação também tem quatro pedidos liminares para assegurar o direito à moradia dos ocupantes do terreno no entanto apesar da decisão de suspender a reintegração de posse, ela foi feita pela polícia a mando de Alckmin.
A ditadura do PSDB e Alckmin
Leia aqui depoimento de estudantes presentes na desocupação do Pinheirinho
“No final da tarde, vimos tratores entrando e começando o processo de destruição... os móveis ainda não tinham sido tirados”
Hoje [22 de janeiro] no Pinheirinho vi centenas de policiais fortemente armados, helicópteros sobrevoando baixo ininterruptamente, balas de armas de fogo espalhadas no chão, milhares de bombas de gás. Do lado de uma das saídas do bairro há um centro poliesportivo onde os moradores eram encaminhados pela PM para fazer uma espécie de cadastramento, mesmo local onde se alojarão esta noite. O lugar não passa de um grande pasto improvisado com toldos e areia. A população está sem comida, sem água e o atendimento médico é realizado no chão, sobre a areia. No fim da tarde a PM atirou com balas de borracha, fogo, e bombas de gás dentro deste mesmo centro, apareceram de todos os lados atirando aleatoriamente. Muitas crianças se perderam de suas famílias. Durante a noite, adentravam armados o bairro vizinho.

Um dos moradores do Pinheirinho nos contou que foram distribuídos adesivos com números nas casas. Eles deveriam colar o numero na porta e depois nos móveis, com a promessa de que poderiam resgatá-los depois. Mas, no final da tarde, vimos tratores entrando e começando o processo de destruição... os móveis ainda não tinham sido tirados. A população ficou desesperada e tentou entrar novamente no bairro. Foi neste momento que a maior chuva de bombas de gás aconteceu.
R.R.C.


Terror nas ruas próximas ao pinheirinho
(relato da tarde/início da noite de hoje [22 de janeiro])


Um espaço no parque ao lado da comunidade Pinheirinho foi docilmente cedido pelo Governo junto a iniciativas privadas para que os moradores despejados o usassem como uma espécie de alojamento provisório. O espaço tinha algumas grandes tendas onde os moradores aglomeravam-se de forma desesperada, desolada, revoltada e precária. Uma delas tinha a inscrição "Ação Social" e abrigava uma grande fila para que pessoas pudessem se cadastrar, agarradas à única e frágil esperança de que, dessa forma, parte do que lhes foi tirado fosse devolvido (o respeito e os direitos já tinham calefado no fogo dessa operação).

Enquanto os moradores se concentravam em se cadastrar para resgatar seus bens, cercos de policiais de arma&armadura fechavam todos os acessos à comunidade do Pinheirinho (precisa falar que os policiais estavam sem identificação?). A Rede Globo pôde atravessar o cerco e invadir Pinheirinho, para que uma repórter de colete à prova de balas defecasse verbalmente em rede nacional. Nota-se um trator ao fundo, orquestrado com a polícia marchando em meio círculo. O trator começa a derrubar postes de luz e casas dentro do Pinheirinho. A reação orgânica, portanto óbvia do moradores foi a revolta. A polícia respondeu (sempre para sua segurança ^^) invadindo agora também o parque. Lançam bombas de efeito moral e gás lacrimogênio, disparam balas de borracha. Corremos para as tendas e percebemos estarmos cercados - era polícia invadindo de todo lado e uma bomba vai rolando até uma tenda em que se abrigavam muitas crianças - muitas crianças da quais saíram de lá de ambulância, entre elas uma de três anos que faleceu.
Corremos então para as ruas que estão sitiadas por todos os lados e já não se sabe para que lado correr, olhar, a audição fica também muito confusa, são choros por toda parte, gritos de ódio, desespero, tristeza, frustração.

Crianças são arrastadas por uma mão, malas feitas às pressas por outra.
Pera aí - te arrancam do seu lar, te jogam numas tendas sem estrutura (são dez mil moradores), falam para você se cadastrar para resgatar suas coisas enquanto tratoram suas casas com tudo dentro (suas roupas, seus móveis, seus sentimentos), jogam bombas na tenda te forçando a correr pra rua que está sitiada e a PM tem ódio e estratégia cruel. Não teve um direito humano que não foi violado.

O clima é de terror: já cortaram a luz das ruas onde aglomeram-se os moradores. Tentam alguma organização em meio à barbárie e organizam uma assembléia - só que as ruas que dão acesso à assembléia são então lotadas de bombas arremessadas por Robocops.

Alckimin joga vídeo game na casa dele e acertou com seu mijo o botão destruir - ouvi dizer que é um novo video game lançado para garotos de alta renda na Ásia. Ai, a globalização!!

Uma coisa é clara - nessa operação não existe vida nem luta nem conquista nem emoções nem sentimentalidades ou direitos dos moradores: existe apenas Ordem&Arma. O resto é resto. Ou gente pobre.
Dalva Hablades

“Continuam a matar, espancar, agredir e humilhar mulheres, crianças, pessoas idosas aqui na ocupação Pinheirinho”

Continuam a matar, espancar, agredir e humilhar mulheres, crianças, pessoas idosas aqui na ocupação Pinheirinho. Estamos aqui desde as 10 horas da manha e já vimos todo o tipo de absurdos.

Pessoas nas ruas feridas, correndo. Estão jogando bombas em nós de cima dos helicópteros, de onde eles também jogam gás de pimenta. Há companheiros mortos, ainda não sabemos o numero exato, mas temos já confirmadas pelo menos três [agora já são nove confirmadas] mortes. O número de feridos e impossível de confirmar. A toda hora disparam contra nos. O ar é irrespirável de tanto gás lacrimogêneo e gás de pimenta.
As crianças não param de chorar.

Mas o povo está ferido, mas ainda forte. Na luta estamos por todos os nossos direito e por uma sociedade onde não tenhamos que morrer para ter uma moradia.

Quem se solidarizar, por favor, divulgue em seus mailings e publiquem. Volto pra guerra.
H.S.
São José dos Campos
Coordenador nacional do MTST é espancado e preso na desocupação do Pinheirinho
A ação truculenta continua em São José dos Campos, no Pinheirinho. A PM e a guarda municipal estão atirando e espancando nas tendas para onde estão sendo levados os moradores

A PM está retirando as famílias das casas e lacrando-as. As famílias sendo levadas para tendas montadas pela prefeitura, perto do terreno. Na tenda a repressão continua. Guilherme Simões da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-teto conversou com a redação do Causa Operária. Ele foi ferido por uma bala de borracha e declarou que foram dados tiros contra os moradores, além do uso de balas de borracha, gás lacrimogêneo e de pimenta.

Nesse momento, Guilherme Boulos foi pego pela Guarda municipal e a PM. Ele foi espancado e preso. Boulos foi atendido em pronto socorro por causa dos ferimentos.

Guilherme Bouloes é membro da Coordenação Nacional do MTST e atua na Resistência Urbana, uma frente nacional de organizações que lutam por moradia.

O governo do PSDB e Alckmin impõem uma verdadeira ditadura contra a população. Um massacre para servir a especulação imobiliária.

Leia a entrevista de Guilherme Boulos à Causa Operária, no dia 10 de dezembro de 2011.

'Estamos sendo reprimidos porque o governo tem um compromisso com as construtoras e o capital imobiliário'
Revolta generalizada
Manifestantes protestam na Avenida Paulista contra o massacre no Pinheirinho
Além das milhares de manifestações de repúdio nas redes sociais, ocorreram passeatas em pelo menos três cidades: São José dos Campos, São Paulo e Campinas
Indignados com a reintegração de posse ocorrida ontem, dia 22, na ocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos, 500 pessoas bloquearam a avenida Paulista sentido Consolação. Os manifestantes reuniram-se no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo) e partiram em passeata por volta das 18horas. O Pinheirinho foi ocupado por algumas famílias em 2004. Até então, cerca de 1600 famílias viviam no local. Com a operação de guerra montada para expulsar os moradores de suas casas, ocorreram muitos feridos, 17 presos e sete pessoas mortas.

Diante dessa situação, os manifestantes protestaram contra a ditadura da direita paulista, que promoveu um verdadeiro massacre a essa comunidade. Havia inúmeros cartazes com dizeres solidários à luta dos moradores, como também muitas denúncias da política fascista do PSDB.

Em São José dos Campos, também houve protesto. Moradores protestaram na frente da casa do prefeito da cidade, Eduardo Cury (PSDB), indignados por terem sido expulsos de suas casas e tão violentamente reprimidos. Além disso, também pararam a rodovia Presidente Dutra que dá acesso à cidade.

Em Campinas, no interior de São Paulo, cerca de cem pessoas se reuniram a denunciaram.

Esta resposta imediata da população em diversos municípios indica uma mudança na situação política e uma forte tendência de luta da classe operária contra a repressão da burguesia e da direita.

Hoje, por exemplo, há passeatas contra o massacre promovido no Pinheirinho em cidades como São José dos Campos, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Belém, Brasília, Teresina, Fortaleza, Rio de Janeiro, Curitiba, Franca, Juiz de Fora, Guarulhos, Macé entre outras. 

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